Clara estava desesperada. Acabara de confirmar que João tinha outra mulher na sua vida. Não sabia se era ou não uma coisa séria. Sabia apenas que estava a correr riscos de o perder e não sabia o que fazer perante esta nova realidade.A raiva e a tristeza estavam a apoderar-se dela. É claro que, ao menos agora, deixara de ter dúvidas e passara a ter certezas. Mas eram certezas muito dolorosas. Vira-os a beijarem-se no carro. E em moldes demasiadamente esclarecedores.
Clara relembrou o que lhe dissera a sua mãe quando eles casaram. "Toma cautela filha. Ele é muito mais novo do que tu. Agora estás apaixonada e ele também. Mas daqui a uma década, os vossos doze anos de diferença contarão muito mais. Fala-te quem já viveu muito. Um dia vais perdê-lo para uma mulher mais nova e nessa altura a tua fragilidade será maior e a tua capacidade de reagires será menor. Para além de, como sabes, ser natural que ele queira ter mais filhos e tu já não estares em idade de correres esse risco. Pensa bem".
Ali estava ela, onze anos decorridos, e quase com cinquenta, casada com um homem que estava
no esplendor dos seus trinta e oito anos, enlevado por uma garota com a idade dos seus filhos.
Nem conseguia conduzir, tal a força das lágrimas que lhe corriam pelo rosto. Que falta lhe fazia, naquela altura, o pragmatismo materno.
Não conseguiu ir para casa. Foi ter com o seu irmão António, que era aquele com quem ela se abria sempre, desde a morte da mãe. Ele ouviu-a com toda a atenção e disse-lhe: “o que eu devo dizer-te é que te acalmes. E que penses que aquilo que o João agora está a fazer foi o que, afinal, tu também fizeste, quando decidiste ficar com ele. Ambos estão no mesmo patamar.
A diferença é que ele agora está casado contigo e nessa altura estava casado com a Teresa.
Só tens duas soluções. Ou esperas, como a Teresa esperou, apesar de o ter perdido para ti. Ou não és capaz disso, separas-te e entrega-lo de mão beijada a essa sua nova paixão.
Tudo o resto são fantasias. Só tu é que sabes a força que tens”.
De repente, Clara percebeu. Doía, mas sabia que o irmão tinha razão.
Voltou para casa e recebeu o marido com a melhor disposição sabendo que, quem com ferros mata, com eles pode morrer…
Helena
Só tens duas soluções. Ou esperas, como a Teresa esperou, apesar de o ter perdido para ti. Ou não és capaz disso, separas-te e entrega-lo de mão beijada a essa sua nova paixão.
Tudo o resto são fantasias. Só tu é que sabes a força que tens”.
De repente, Clara percebeu. Doía, mas sabia que o irmão tinha razão.
Voltou para casa e recebeu o marido com a melhor disposição sabendo que, quem com ferros mata, com eles pode morrer…
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